sexta-feira, 26 de março de 2010

Sem Pressa


Já tive pressa na ânsia de outro dia te encontrar,
percorri um labirinto, me perdi. Tanta pressa que consumia as madrugadas em febre, meus sonhos ardiam nessa temperatura marcada em qualquer tempo de espera.

A febre passou, o Tempo passou, a ausência, o amor, tudo passou.

Respirei-te desde o ventre, sentindo-te em cada molécula do meu ser, respiração acelerada, memória ofegante de espera.

Perde-se a noção e o rumo nesse mundo mudo, não há palavras, nem final, são tuas reticencias, pontos após outro e outro, infinitamente os pontos desenham possíveis imagens de tantos Você.

Sustento meus medos, minhas tempestades, meus desatinos, outras saudades.

Fico bem aqui nessa Noite ouvindo o som do Universo se propagar, dentro desse corpo que abriga um lento desejo de outra vez encontrar teus dedos no etéreo unindo-se aos meus, um a um até que nossas mãos se encontrem num toque de carinho depois de tantas horas.

Já não tenho pressa
Quero Respirar
Essa Calma que
Emana Esse Amor
Que não termina no
Ato E continua e
Segue dia após dia
Segue!

terça-feira, 23 de março de 2010

Contemplação Outonal




Na imensidão azul do horizonte
Vejo nuvens tingidas de dourado
Riscos brilham penetrando os claros flocos espalhados no céu
Oceano da madrugada

Em breve será manhã
Deixo-me ficar nessa escura estrada silenciosa
Eu e a sombra do bosque

Percebo o som que corta em raios estrondosos
O Tempo que me envolve
Sozinha nas horas os minutos deslizam suaves sensações
Que percorrem esse frio ruidoso
De uma tempestade anunciada

Na distância uma Vida acende um aceno que brilha Luz
Um farol e um breve sinal
O Tempo parou um segundo e nada sou
Um empecilho no caminho admirando a aurora
Puxada por corcéis de oiro logo será manhã outonal

Tento a velocidade em busca da felicidade
Chego a mim
É Outono
O colorido da estação que passou
Deixou marcas indeléveis na Alma
Lembranças tatuadas nos lábios

Alguém Amou!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Permanece




Um leve torpor da realidade
Um leve sabor na boca
Gosto de Verdade
Do que ficou
Entre Eu e Você.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fim


Entendo agora o movimento das Estações que vêm e que vão
Envolta na canção desse Tempo
Entendo nossos sonhos num momento sem razão.

Desenho na fumaça do incenso
Um último devaneio das lembranças virando cinza
Suspiro derradeiro do Verão que por Nós passou.

O abraço rodeando nossos corpos no silêncio dos lábios
No ritmo do desejo, na canção suspirada
Sorvíamos os segundos com sede de saudades.

Primavera anunciando tardes
Coloridas de Verão. Seguem as estações
Plantamos sementes de Sonhos esperando outro dia.

Fim de Verão, as flores caem debruam a rua de cores
As folhas recostadas na sarjeta anunciam um
Outono amarelando meus dias
Outra Estação nos espera.

Passamos ou ficamos olhando o voo das Horas
Nada mais importa se tudo passou.
Inverno de garoa gelada, branco geada na relva, paredes frias
Amparavam nossos corpos na solidão de um beijo roubado.

Percebemos ainda o movimento que fazemos em cada Estação
Brotamos em amor, Vivemos em amor e Morremos em Amor
A cada Nova Estação.

domingo, 7 de março de 2010

Escreva-me



Hoje os versos mais Lindos do Ontem
Advinha-me a prosa
Segredos de alcova.

Traga-me
um Trago doce nos lábios de Mel!

Ao fim com os dedos Repletos
Desenhe teus desejos
Secretos na pele minha.

Marcadas notas
Da Nossa Voz
Ditas nas lacunas dos Dias.

Preenche todos os dias
Aquele papel branco sobre
a Mesa.

Depois
Apague!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Confesso



As vezes tenho medo de dormir
E nos meus sonhos você
aparecer

confesso...

se sonhar e teu beijo
marcar um gosto de
desejo

decerto desejas
ainda os sonhos
os beijos

corri virando as páginas da agenda
adiantava as folhas como se

adiantasse
se adiantasse...

nas águas tepidas
nas vagas
na solidão
nas tantas horas
madrugadas

Envolvia-me o azul das paredes
dos lençois intactos de você.

Abraçava meus devaneios nas manhãs
esperava que pudesse e se pudesse
esperar um tempo mais

talvez falassemos das águas
das horas, das madrugadas

ou se o lençol azul
desenhasse os desejos
do teu olhar no meu...

confesso...